terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Moacyr Scliar e a indiferença dos moradores de rua


Foto de Fabio Santos (*)

Por Thais Fernandes (**)

Não é de hoje que o jornal Zero Hora, através de seus repórteres e colunistas, emite opiniões equivocadas sobre a população de rua de Porto Alegre. Dessa vez, foi um texto de Moacyr Scliar no caderno Donna de 27/12/2009 que me chamou a atenção. Do alto de seu discernimento engaiolado por um carro, ele fala o que julga ser a verdade sobre as ruas. O texto tem como destaque inicial a seguinte frase: “Morar na rua é opção e resulta, sobretudo, de uma vida infeliz”. Parece que dizendo isso desconhece um dado importante, divulgado pelo Ministério das Cidades (baseado em uma pesquisa da Fundação João Pinheiro), de que o déficit habitacional no país é de 8 milhões de moradias, e que um dos problemas principais disso é a baixa renda familiar. Ainda assim, ele não ignora as estatísticas.

Primeiro Scliar utiliza um número divulgado pela FASC de que, em Porto Alegre, há cerca de 1.200 moradores de rua. Ora, qualquer observador mais atento (até mesmo de dentro do seu confortável carro), sabe que esse número é uma estimativa muito distante da realidade. Uma conversa com qualquer servidor da FASC, responsável por essas pesquisas (como a que fiz em 2007 enquanto escrevia uma reportagem sobre o tema), esclareceria que a população de rua é algo muito mais complexo do que simples números. Segundo, utiliza a chancela do livre arbítrio para afirmar que quem mora na rua o faz por opção, como resultado de uma vida infeliz. Infelicidade que, aliás, ele não define. O discurso de que alguém mora na rua por opção faz parte do mesmo pacote opinativo dos que dizem que desempregado é vagabundo, já que trabalho não falta.

Scliar vai além. Diz que existe uma condição básica para quem vive embaixo de viadutos (sim, já que a impressão que o colunista de ZH passa é de que moradores de rua só vivem nos viadutos, como na música francesa que inicia o texto). Para ele, é necessário ser indiferente. Sim! Moradores de rua precisam ser indiferentes, já que “para essas pessoas, aquilo que incomoda a classe média em absoluto não conta”. E daí ele segue, falando da falta de privacidade e excesso de barulhos, fatores que seriam enormes empecilhos para a vida que nós, classe média, levamos. Mas não eles, moradores de rua, já que têm essa magnífica qualidade, a indiferença, e outra ainda melhor, o livre arbítrio, pois puderam escolher morar na rua. Indispensável falar da necessária e relevante observação sobre o que, além da indiferença, ajuda os moradores de rua a dormir. Para ele, “a cachaça atua como um sonífero poderoso”. Dizendo isso, parece que fez uma pesquisa pessoal e descobriu que absolutamente todos os moradores de rua bebem cachaça. Interessante.

Nós, pobre classe média, não somos tão evoluídos ao ponto de abrir mão da nossa confortável vida e escolher morar na rua. Mesmo tendo, muitas vezes, vidas infelizes, famílias destruídas, problemas de auto-estima, o que fazemos, nós os egoístas, é ir sofrer em Paris. É de lá que trazemos nosso aguçado olhar para, sem ser indiferente, perceber o que se passa embaixo dos viadutos. O mais interessante é que Moacyr Scliar consegue perceber todas essas coisas de dentro de seu carro! Não precisou sequer conversar com um morador de rua.

Se tivesse saído do carro, ele poderia ter conhecido a Dona Maria, uma senhora de seus 70 anos que vende panos de prato na Avenida Protásio Alves e não mora embaixo de um viaduto. Ela dorme na rua há alguns meses, pois o casebre onde morava, na periferia de Viamão, foi destruído pela chuva. Construído em área irregular, a prefeitura da cidade não deixou que ela o reerguesse. Solução: Dona Maria “escolheu” morar na rua. Será que classifico isso como infelicidade?

Mas e por que ela não vai para um albergue? Albergues são locais para dormir, e não morar (em Porto Alegre há apenas um que funciona durante o dia, a Casa de Convivência, e tem 70 vagas diárias). Aceitam um número limite de pessoas, que começam a fazer fila nos seus portões muito antes das 18h. Porto Alegre não tem leitos suficientes para o número real de moradores de rua da cidade. Muito antes do sol raiar é preciso sair. E ainda, para completar a lista de facilidades, não se pode freqüentar o mesmo estabelecimento por muito tempo, variando de 15 a 30 dias o tempo de permanência. Foi por isso que, voluntariamente, Dona Maria “escolheu” morar na rua, embaixo das marquises, e não dos viadutos.

Afinal, quem é indiferente à realidade? Moradores de rua e sua escolha “voluntária” de existir bravamente onde lhes é possível, ou os observadores da classe média?

(*) www.fabiosantos,wordpress.com

(**) Thais Fernandes é jornalista.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

"Jornalista" da RBS constrange convidados de programas do partido com abaixo-assinado em seu favor

Saiu no Alma da Geral:

Esta me contou quem passou por isso.
Existe um rapaz que tinha um programa televisivo na grade da TVCom.
Pois, aparentemente (até porque eu não via seus programas, nem vejo nada de lá para confirmar), mexeram na grade do canal e sobrou apenas uma página em ZMentira para o pertencente do séquito pêerrebêesseano de ser se expressar e destilar o seu ódio.
Indignado, resolveu correr os corredores dos prédios da empresa atrás de apoio para que voltasse à televisão. Redigiu abaixo-assinado e pressiona quem passe pela casa para assiná-lo.
Uma disposição ímpar, poderia se dizer, mesmo que em causa própria.
Aliás, é uma característica de quem trabalha por lá, legislar em causa própria, das amizades, nunca em fazor de questões que beneficiem realmente a sociedade, afinal, "os ventos do norte não movem moínhos".

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Movimento de apoio ao Mestre Batista



Reflexões e Mostra de Artes Cultura Negra

Neste sábado (19/dez) será lançado o Movimento de apoio ao Mestre Batista, Mestre Griô e Luthier, que tem sido fundamental na preservação do Tambor de Sopapo. O evento Reflexões e Mostra de Artes Cultura Negra, que ocorrerá em Pelotas, no Auditório Projeto Casa Brasil – Dunas , a partir das 17h, terá a presença dos músicos Giba Giba, Richard Serraria, entre outros.

Os ingressos, que serão revertidos em recursos para o Mestre Batista, têm valores de R$ 2,00, R$ 5,00 e R$ 10,00 e estarão à venda no local. O Auditório Projeto Casa Brasil – Dunas fica na Avenida 01, nº 2057, Loteamento Dunas. Informações pelo fone (53)3228.7261.

Reflexões e Mostra de Artes Cultura Negra é uma realização da União das Escolas de Samba de Pelotas, ONG AMIZ e Odara, com o apoio da Catarse – Coletivo de Comunicação, da banda Bataclã FC e dos Pontos de Cultura Ventre Livre e Quilombo do Sopapo.

Confira a programação:

17h: CONVERSAÇÕES sobre o Projeto Tambor de Sopapo – Resgate histórico da cultura negra do extremo sul do Brasil (Richard Serraria, CATARSE e IPHAN); Projeto Educação Quilombos (UFPel – FaE); e O Quilombo é Aqui (projetos 2010 Loteamento Dunas)

19h: MOSTRA CULTURAL com a presença de Giba Giba e Quilombo Sopapo, Ação CaÔ com Richard Serraria, Marcelo Cougo e Sérgio Valentim; Mostra de Dança ODARA e Afropel, Núcleo de Artes Rede Vidadania (Violeir@s), Banca CNR, Edu da Matta – Vândalos e Bateria da Imperatriz da Zona Norte (fundada pelo Mestre Batista).

SOBRE O TAMBOR DE SOPAPO

O Tambor de Sopapo está na raiz da história do extremo sul do Brasil - desde as charqueadas até o embalo dos carnavais de rua e de avenida da região. No entanto, a partir dos anos 1970, o processo de ‘carioquização’ do Carnaval fez com que este instrumento, de grande porte e construção artesanal, fosse substituído por instrumentos conhecidos como surdos, também de sonoridade grave e com processo de produção industrializado. Como resultado, esteve em vias de extinção, iniciando-se um resgate no ano de 2000 através de iniciativas como o Projeto CABOBU.

O Movimento de apoio ao Mestre Batista, Mestre Griô e Luthier fundamental na preservação do Tambor de Sopapo, pretende trazer à tona a história deste instrumento, resgatando a contribuição cultural do negro em uma região caracterizada pela predominância do positivismo branco. Nesse sentido, integram-se diversas instituições em uma teia de relações que visa essencialmente a fortalecer e potencializar ações de promoção da identidade afrodescendente do Brasil.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sopapo por todos os lados




No fim de semana do dia 5 de dezembro, junto com a turma dos pontos de Cultura da rede do GHC rolou um baita som com a Orquestra de atabaques da Bahia. Sopapo e cavaco, levando a batida do samba gaúcho junto com a baianidade. Inesquecível!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Gerdau e a Justiça Gaúcha



O que está acontecendo nesse estado? Estamos todos anestesiados ou somos um bando de sem vergonha mesmo?

Essa nota saiu na Zero Hora do dia 6 de dezembro, na coluna do Tulio Milman. Você pode ler mais sobre isso nos blogs Diário Gauche e Cloaca News.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A banca de frutas que incomodou



No centro de Porto Alegre-RS, há 35 anos uma banquinha de frutas 24 horas funcionava na praça Raul Pila, esquina entre a João Pessoa e a André da Rocha. Isso até a primeira semana de outubro. Esta é a historia de uma das várias bancas que estão sendo sistematicamente retiradas do Centro pelas autoridades municipais, numa campanha de “limpeza” e “embelezamento” do bairro, amparados pela nova lei.

A reportagem é resultante da oficina de videoativismo que o Coletivo Catarse ministrou no mês passado, como parte da mostra “Videoativismo no Cinema”, puxada pela Editora Deriva.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hai Kai de verão


No rangido do bambu
ouço a curva
do vento

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Crack, temos de pensar!!!


Esse texto está no blog Abunda canalha. Acho importante a gente se alimentarde informação em outros veículos de comunicação. Nesse momento a RBS faz mais uma de suas campanhas para fortalecer sua imagem junto ao povo desse estado. Campanha cheia de preconceitos e segundas intenções, isso sem contar o espetacular slogan, um convite à não reflexão: Crack, nem pensar...putz, tem de pensar e muito!!!!

http://abundacanalha.blogspot.com/2009/10/o-crack-e-midia.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sopapo por todos os lados


Sopapo na UFRGS, no salão de extensão, sopapo no Ventre Livre, Sopapo na mão de criança, Sopapo na mão de adulto, Sopapo no Harmonia, Sopapo do Mestre Chico, Sopapo do Serraria e do Kino. Sopapo nas mãos do Giba. Sopapos por todos os lados. Sempre sob a bênção de São Jorge!








quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Catarse - 5 anos de comunicação engajada




MOSTRA CATARSE 5 anos à Margem

Comemorando seu quinto aniversário, a Catarse – Coletivo de Comunicação convida a todos para a abertura da MOSTRA CATARSE 5 anos à Margem, que ocorrerá nesta quinta-feira, 8 de outubro, às 19h, no Arquivo Público do Estado do RS (Riachuelo, 1031).
Na programação, um apanhado das produções audiovisuais do Coletivo Catarse nestes 5 anos de existência, entre curtas, médias e longas-metragens, animações, documentários e cinerreportagens. A Catarse estará exibindo esta faceta de seu trabalho sempre nas quintas-feiras, às 19h, no APERS, até 5 de novembro. As exibições serão seguidas de debates. Entrada Franca.

Confira a programação e sinopses abaixo.


Desde 2004, a Catarse é um coletivo de artistas que tem como objetivo trabalhar junto a movimentos, organizações e pessoas que também se comprometem na busca por uma sociedade mais justa e humana.

O coletivo se organiza como uma cooperativa e, hoje, é constituído por 16 profissionais das mais diversas áreas – jornalismo, publicidade, ciências sociais, administração, psicologia, teatro, música.

Através de produções autorais e prestação de serviços, trabalha a comunicação pelo ambiente da internet, do audiovisual, da palavra escrita e da arte gráfica nas suas mais diversas manifestações, tendo como principal objetivo oferecer à sociedade civil - no resultado de sua arte - subsídio para a formação de uma consciência crítica frente às escolhas da própria existência.

Através de um trabalho autoral e engajado, firmou olhar nos movimentos e organizações do povo, que entendem a cultura como um direito humano e a comunicação como uma ação transformadora. Hoje, a cooperativa é responsável pela proposta de um Ponto de Cultura, o Ventre Livre, foi premiada com Vladimir Herzog de Direitos Humanos (2008), com o 8° Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, e menção honrosa no XVII Salão Internacional de Desenho para Imprensa, tem documentários exibidos em vários estados do Brasil, em ações de cidadania e defesa dos direitos humanos. Já trabalhou para dezenas de entidades da sociedade civil.


PROGRAMAÇÃO
MOSTRA CATARSE 5 anos à Margem
Sempre nas quintas-feiras, às 19h.
No Arquivo Público do Estado do RS (Riachuelo, 1031).

08 de OUTUBRO
Bugigangas
Culpa nossa de cada dia
Deriva Galpão de triagem
Aniversário de Othoniel
Espaço Público

15 DE OUTUBRO
Quilombo Urbano
Me dê motivos para ir embora
Tempo de Pedra

22 DE OUTUBRO
Série Migrantes da Cana
Kuaray do Sul

29 DE OUTUBRO
A busca de Maria
Questão de Gênero

5 DE NOVEMBRO
Usina Catende
É Possível


SINOPSES

Bugigangas (7’)
As Bugigangas hoje permeiam as relações sociais em diversos níveis, desde aproximar pessoas que estão fisicamente distantes através da comunicação como distanciam as pessoas que vivem próximas, como no caso da família Silva.


Culpa nossa de cada dia (6’)
Vídeo realizado colaborativamente com o programa Ponto Brasil.
Histórias de vida contadas num confessionário em praça pública.

Deriva Galpão de triagem (4’30)

"O fetiche se constitui pela sua inatingibilidade. Quanto mais distante se apresentam [as mercadorias], mais desejadas são. Os ditadores de ontem e de hoje, servem-se ainda destas estratégias, para se perpetuarem na arte de serem adorados. Uma vez bolinadas, conhecida sua materialidade, o encanto fenece. De forma inteligente os sistemas criam outros, e outros tantos para continuar a ópera". Trecho de As mesmices globais, de Pedro Figueiredo.


Aniversário de Othoniel (2’25)

Flanando pela cidade. Dá nisso.


Espaço público (5’30”)

Exercício de vídeo com câmera fotográfica. A integração do teatro e da rua.

Imagens capturadas no ensaio e apresentação da Farra de Teatro, em Porto Alegre – RS.


Quilombo Urbano dos Silva (5’)

Realizada para o quadro Outro Olhar, da TV Brasil, a reportagem integrou o web-documentário Nação Palmares, vencedor do 30º Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos 2008.


Me dê motivos para ir embora (20’)

Bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre, 2009. Há quase uma década foi anunciada a construção de um shopping ao lado do Hipódromo Cristal. As obras da primeira fase iniciaram em 2006 e terminaram em 2008. Junto com o rápido progresso vieram os problemas. Ao invés de novos empregos, urbanização de vilas e outras melhorias, surgiu o projeto de remoção de um número expressivo de famílias para a expansão do espaço físico deste empreendimento imobiliário.


Tempo de Pedra (51’)

Tempo de Pedra acontece na relação de um lugar com suas pessoas; a cidade e os corpos. O cenário é o centro histórico de Porto Alegre/RS. Ali, pousa diariamente a grande feira, auto-organizada e vivida principalmente por pessoas de classes populares; é o fenômeno Camelódromo da Praça XV, uma gigante instalação, que há décadas se configura em um espaço onde espontaneidade, improviso e estética se fundem e caracterizam o modo de ser e agir, no cotidiano intenso da rua.


Kuaray do Sul (31’)

Kuaray do Sul é uma reportagem cinematográfica em busca do mito guarani Sepé Tirajú, durante a Assembléia Continental Guarani, em 2006. De como sua luz se manifesta na atualidade: no espírito, no coração e nas ações de pessoas simples. Na guerreira gente que luta na vida por terra, por sentimento de comunidade, afirmação cultural, percepção de tempo milenar e dignidade às nossas e às futuras gerações.

A busca de Maria (6’)

Maria, uma jovem como tantas outras, parte em busca de sua identidade.


Questão de Gênero (90’)

Acompanha, durante um ano, a vida de sete pessoas que, em comum, têm o sentimento de que nasceram em um corpo que não era o seu. Homens que nasceram mulheres, mulheres que nasceram homens contam como se descobriram transexuais e como buscam viver em sua verdadeira identidade de gênero.


Usina Catende (9’)

Catende é considerada uma das maiores experiências brasileiras em auto-gestão e economia solidária, fruto da recuperação de um Engenho falido. Em terras de reforma agrária, diversificaram a lavoura, preocupados também com o meio ambiente, e melhoraram muito a qualidade de vida de mais de quatro mil famílias. Reinventaram suas próprias vidas, num processo de desenvolvimento humano (mas também econômico) profundo.


É Possível (51’)

Desafiar abertamente os poderosos que geram pobreza, desigualdade e concentração de riquezas foi uma luta constante, desde 1984, período em que o MST se transformou em um dos mais importantes e reconhecidos movimentos sociais do mundo. Acompanhando o cotidiano em acampamentos e assentamentos no Rio Grande do Sul, marchas e enfrentamentos, mais contribuições de cinegrafistas ativistas e trechos de filmes, a reportagem traz as principais questões que envolvem o desafio de se fazer a reforma agrária.

Digital Dub

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Parceria forte

Beto, Alex e Têmis, consertando as coisas no Ventre Livre






Sessão de cinema

Beto e Alex, arrumando a luz

Luz dentro e fora da casa

Gurizada atenta

A parede é tela

No sábado, dia 19 de setembro, tivemos uma movimentação importante no Ventre Livre. Realizamos uma sessão de cinema com a presença da gurizada da rua. Coisa simples, mas que só foi possível pelo trabalho de dois amigos: Beto Bastos e Alex Nunes. Eles foram os responsáveis pela eletricidade dentro da casa. Ainda de modo precário, mas se encaminhando para soluções definitivas, a eletricidade foi saudada como a grande transformação nesse fim de semana. Resta ainda muita coisa pra fazer mas estamos caminhando firmes pra tornar cada vez mais o Ventre Livre um espaço para a cultura e a educação na Vila Jardim.

Depois da luz, vieram as crianças e suas cadeirinhas para ver primeiro A busca de Maria, um curta de animação feito com colagens, vídeo esse realizado colaborativamente pela Têmis da Catarse e o Ponto Brasil. Após o curta passamos o filme Saneamento Básico, do Jorge Furtado, realizado na serra gaúcha e que fala sobre a filmagem de um vídeo em uma pequena comunidade. Foi uma boa experiência para todos e mais uma atividade realizada pelo Ponto de Cultura Ventre Livre.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Noite no Piquete Chama Nativa

Noite de quinta, chuvosa como vem sendo essa primavera, fomos tocar o tambor de sopapo em pleno acampamento Farroupilha. Uma oportunidade maravilhosa para mostrar um pouco da cultura Afrogaúcha, sempre deixada de lado na história oficial desse estado. O Piquete é formado por funcionários do Grupo Hospitalar Conceição e a acolhida ao Ponto de Cultura Ventre Livre e aos artistas colaboradores nesse Ponto foi a melhor. Um noite especial, muito agradecido pela oportunidade mando uma saudação ao Mestre Chico, ao Serraria, ao Kino, Têmis, Gustavo, e ao Tiago e o Leandro do Ponto Quilombo do Sopapo. As fotos são da Júlia Flores -

Mestre Chico, Serraria, Marcelo e Kino

Mestre Chico e o Sopapo

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ieda quase explode

Não me aguento, essa nossa governadora é uma pândega!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Porto Alegre é meu lar

Nossa, velharia das grossas, do tempo em que tocava na Panic, isso é em 93/94. Quem deu o toque foi o Vial, parceiro dessas barbaridades desde muito tempo. Saudades na real...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A invisibilidade do negro no RS

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Mestre Giba Giba e o tambor de Sopapo


Nas oportunidades que tive de viajar pelo Brasil com amigos, seja a trabalho ou pra curtir um pouco, ao falar sobre as coisas do Rio Grande, sua cultura, povo, política, na maioria das vezes houve surpresa entre as pessoas com quem comentávamos sobre a importância dos negros na formação do estado.

A nossa imagem vendida para o resto do Brasil é a de um recanto europeu, com tímida presença indígena e quase nada sobre os negros. A cultura consumida aqui dentro também é essa, mesmo que contrarie a realidade, nossa própria percepção. A migração alemã, italiana, açoriana, a troca constante com os espanhóis é hegemônica quando se trata da imagem do gaúcho. No máximo se permite a presença dos índios na figura de um Sepé Tiaraju, herói das guerras jesuíticas ou de um Pedro Missioneiro, personagem de o Tempo e o Vento. Quanto ao imenso contingente de negros, trazidos a ferro nos tempos da escravidão quase nada. O famoso episódio da traição dos Lanceiros Negros ao fim da Guerra dos Farrapos ainda não foi de todo esclarecido e como é uma marca tão negativa na história dos heróicos guerreiros brancos não se faz muita questão de descortinar a verdade aos olhos do presente.

Há alguns anos em uma matéria da revista Aplauso de setembro de 2006, edição 78, alguns dados me chamaram a atenção: o Rio Grande é o estado brasileiro onde maior população que se declara umbandista (1,1% dos gaúchos) segundo os censo de 2000. Ainda na mesma revista, o antropólogo e professor da UFRGS Ari Pedro Oro afirma existirem no RS cerca de 30.000 centros de cultos Afro-brasileiro. Somente para comparar o n de CTGs, no mundo inteiro gira em torno de 1.500.

Nosso carnaval teima em existir e até mesmo se fortalecer, mesmo com o boicote escancarado do poder público que é capaz de levar essa festa popular para os mais distantes espaços da cidade, sob o argumento da dificuldade em manter a estrutura e a grande afluência de público. O Acampamento Farroupilha continua no centro de Porto Alegre.

Dentro dessa lógica de camuflagem midiática, por vezes patrocinada pelos poderes do estado, causa estranheza aos brasileiros do além Mampituba esse discurso de artistas como Bataclã FC, Giba Giba, entre muitos outros, que resgata a importância do tambor de Sopapo e da cultura negra em geral na nossa formação. Os toques de batuque Afro-gaúchos, as cores desse povo, suas crenças misturadas nessa zona de fronteira, tudo isso e muito mais precisa ser revelado, apreciado, no mínimo respeitado e não mais escondido sob o risco de mantermos alienados toda a população do estado do Rio Grande do Sul. Numa próxima oportunidade quero falar sobre o Tambor de Sopapo, instrumento que esteve em vias de extinção e agora retorna vigoroso, com seus timbrem diversos, ao nosso convívio musical e espiritual.

domingo, 23 de agosto de 2009

Oficna de Foto na lata no Ventre Livre

Oficina de fotografia na lata, sábado à tarde no Ventre Livre, muito bacana!!

Baita trabalho da Sílvia Reis, da Têmis, da Rosa, das Agentes Culturais Débora e Bianca, apresença forte das mulheres do Conselho Local de Saúde, apoio da vizinhança, enfim, da turma toda mais a garotada da Vila Jardim que merece um baita beijo!

Fotos da Têmis e do Valentim.








segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ventre Livre



Na tarde quente da última terça feira, dia 11 de agosto, cerca de 15 crianças, todas moradoras da Vila Jardim foram ao Ponto de Cultura Ventre livre participar da Oficina de Colagem ministrada pela artista plástica Lídia Brancher. Foi a primeira atividade cultural promovida pelo Ponto, mesmo que sua estrutura física ainda esteja bem precária. Para aproveitar a beleza do dia, sua luz, a atividade foi realizada na entrada da casa. Em cima de uma lona preta foram colocadas muitas revistas, canetinhas e gizes de cera de diversas cores. A criançada recortou e pintou dando vazão à criatividade durante quase duas horas. Durante a oficina, que contou com a participação das Assistentes Sociais Rosa e Nabila, vinculadas à Gratürck, parceira do projeto do Ventre Livre, dos coordenadores do ponto, Têmis e Marcelo, aconteceu a visita da Maria Helena Zanella e da Luiza Bezerra do GHC.



Foi um momento importante para todos os envolvidos. O barco do Ventre livre já está navegando em águas da Vila Jardim, prometendo ganhar o mundo com as coisas de lá e como pode ser melhor começo do que uma casa cheia de criança? Próxima parada será dia 22 de agosto, 14hs, oficina de Fotografia na Lata.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Linha de São Jorge



Nesse show não pude ir, maldita gripe!! Me sinto junto aos amigos quando vejo esse vídeo, valeu bataclã FC!

Ventre Livre



Para ver melhor, clique na imagem.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Tudo pelo bem do RS


Foto: Roberto Vinícius/Ag. Free Lancer/Agência Estado

Essa nossa governadora é demais!! Pelo bem do propalado déficit zero ela e a filha estão economizando cachorro. Tudo pelo bem das contas públicas!!!!