quinta-feira, 26 de março de 2009

Pelotas do Sopapo


Mestre Batista, Luthier e GriÔ


Giba Giba, Músico e Griô

Vamos para Pelotas, a parceirada do ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, Alunos e oficineiros, Serraria, Gustavo da Catarse, Ação Griô com Giba Giba, Edu, Jaburu e PC, todos para fortalecer os laços e registrar a feitura de um Sopapo por Mestre Batista, presente de aniverário para o Ponto.

Manifesto contra a mídia bandida



Essa manifestação foi feita na frente do prédio da Zero Hora, em Porto Alegre. Será que estamos vivenciando um novo momento? Será que a indignação está fazendo efeito? Será? Longa vida ao movimento!

quinta-feira, 19 de março de 2009





Essa semana foi muito proveitosa para entender a lógica da exclusão em Porto Alegre. Começa com uma audiência pública para esclarecimento e deliberações no bairro Cristal. Audiência que deveria se prestar a responder as dúvidas das pessoas que estão sendo retiradas das cercanias do Barra Shopping, as que serão removidas pelo projeto Sócio-ambiental. Mas pouca coisa se resolve...leia mais sobre isso no blog do companheiro Gustavo Türck:

http://almadageral.blogspot.com/2009/03/cristal-em-ebulicao.html/

Segue a tragicomédia com a mobilização de mais de 400 PMs, fora os P2 infiltrados, na desocupação de um loteamento na Vila Nova. Esse loteamento é destinado às pessoas removidas das vilas Icaraí I e II, ao lado do Barra. Por atraso (incompetência e desrespeito) da prefeitura do Sr. FOGAÇA esse loteamento ficou à deriva durante uns meses, coincidentemente os meses pós eleições. Foi invadido pelos moradores da vizinhança. Na madrugada de terça, enquanto sobrevoava o bairro o helicóptero da BM, centenas de PMs se deslocavam para o fechamento das ruas e acessos. Um gueto onde ninguém entrava apenas saia na chuva insistente, móveis ao relento e choro livre e não ouvido. ônibus da Carris, pintados de branco, seus motoristas a postos. Caminhões de várias secretarias, um engajamento que não se vê normalmente por parte dos poderes públicos, a não ser quando se trata de repressão aos mais pobres. Que sirva de lição. A Prefeitura e o Sr. Fogaça só são lentos e incompetentes quando se trata do bem público.

As imagens são da equipe de alunos e professores do ponto de Cultura Quilombo do Sopapo. Aguardem que tem mais.

terça-feira, 10 de março de 2009

Quilombo do Sopapo




Fotos da inauguração do curso de produção Cultural Comunitária - Quilombo do Sopapo

Quilombo do Sopapo recebe visita de Paul Singer
Nesta quarta-feira, 11 de março, às 17h45min, o Ponto de Cultura Casa do Cristal QUILOMBO DO SOPAPO, localizado na Av. Capivari 602, bairro Cristal, receberá a visita do Secretário Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, professor Paul Singer. O evento é parte do desenvolvimento do projeto “Economia Solidária na Prevenção à Violência”, que visa gerar empreendimentos de economia solidária destinados a jovens em situação de vulnerabilidade social, sendo fruto de um convênio entre a OSCIP Guayí, o Ministério, através da Secretaria Nacional da Economia Solidária (SENAES), e a Fundação Banco do Brasil.

O projeto prevê a capacitação de jovens em cursos que estão em pleno andamento como o de Produção em Audiovisual, com participação da Cooperativa Catarse - Coletivo de Comunicação, e o de Tecnologia da Informação, ministrado pelo Serviço de Processamento de dados do Governo Federal (SERPRO) e pela Associação de Software Livre (ASL). Os encontros estão ocorrendo nas quartas e nas sextas-feiras, das 14h às 18h, e no seu currículo também estão os temas da economia solidária e direitos humanos e cidadania. Além dos cursos, o Projeto propõe ações comunitárias envolvendo lideranças da região e atividades nas comunidades, bem como o mapeamento da diversidade cultural do Cristal. Estas ações se inserem numa estratégia de prevenção à violência criando espaços alternativos de convivência, aprendizagem e geração de trabalho e renda através de atividades associativas dentro dos princípios e da organização da economia solidária com jovens em situação de risco e vulnerabilidade social.


Quilombo do Sopapo
Inaugurado em abril de 2008, tem, além dos cursos, um telecentro constituído em parceria com o SERPRO. Em breve estará abrindo um estúdio multimeios para a produção musical e comunicação comunitária. O horário de funcionamento ao público é de segunda à sexta-feira, das 13h às 19h.
Este ponto de cultura é resultado da ação entre OSCIP GUAYÍ, conveniada com o Ministério da Cultura, Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal – SINTRAJUFE/RS, que cede a casa para o projeto, e as 16 comunidades da Região Cristal, que conjuntas, comunidades, sindicato e guayí, compõem o Conselho Gestor Comunitário do Quilombo do Sopapo.
O ponto de cultura tem o nome em referência a território de resistência e produção cultural com foco na música. Assim, o território Quilombo e o instrumento Tambor de Sopapo, tambor este de origem gaúcha de matriz negra da região das charqueadas, materializam esta idéia em construção no Cristal.
Os padrinhos do Quilombo do Sopapo são o Percisionista e Sopapeiro Giba Giba, Mestre Batista, lutier de Sopapo, e Bataclã FC, banda porto alegrense que incorporou o Sopapo no seu instrumental e composições musicais.

Maiores informações: quilombodosopapo@gmail.com , http://www.guayi.org.br/ e fones: 33986788, 33980602 e 92149358 com Diane ou Leandro

quarta-feira, 4 de março de 2009




Eu sopa pra fazer algo parecido por aqui...pode escolher na frente de quem.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O Sopapo é vida, vibra o povo na avenida



Na foto, momento mágico na passarela.

O Carnaval passou e dele ficaram mais que as lembranças e a ressaca da folia. Ficou uma memória muito viva dos Sopapos e atabaques vibrando no meio da avenida. O desfile da Bambas da Orgia trouxe esse resgate e mais ainda, uma valorização que não se via a tempos em Porto Alegre desse tambor símbolo da negritude gaúcha. Símbolo por ser original, criado aqui por negro trazidos da África. Mas infelizmente, símbolo também porque quase esquecido, como nossa herança africana, sufocada por uma elite e uma mídia que se pensam na europa. Tive a oportunidade de tomar conhecimento dessa luta, pela preservação do instrumento e da valorização de suas raízes, atravéz do trabalho e da música de Giba Giba, Bataclã FC e Serrote Preto. Tive muita satisfação em colaborar um pouquinho com músicos tão talentosos. Estou colocando agora um e-mail escrito por Sandra Narcizo, importante produtora cultural de nosso estado, para o meu amigo Serraria, linha de frente quando se trata de Sopapos. Achei bonito publico:

Richard,

Acredito, sinceramente, que o fato de estares a frente desta boa luta para a preservação do SOPAPO, e ao mesmo tempo evidenciar sua importância como um genuíno Tambor Gaúcho, trazendo à Luz a história que ele guarda, da construção do povo deste estado sob a ótica da linha do tempo, legitima o significado desta ação.
O SOPAPO, como sabes não é apenas um instrumento, pois, não só evidencia um belo e
majestoso tambor, mas coloca na mira, ao mesmo tempo, a influência das raízes africanas e a trajetória do legado musical que este estado tem, além do braço da construção das cidades e da cultura do RS.

e para ilustrar: SOPAPO

É um instrumento quase religioso. É a emoção condensada através do toque. Cada música uma sensação, o mesmo ritmo, o mesmo compasso, mas a condução é personalizada, o que o torna um instrumento profundamente identificado com o seu executor. O que diferencia, é que a emoção sentida a cada melodia, toca o ritmo do coração de cada um. E aí, a gente toca a mesma música, com sentimento individual do coletivo. Os ritmos são determinados por nossos ancestrais. Foi ele – o Sopapo – o veículo que trouxe para cá a contribuição estrutural do ritmo, isto é, os elementos capazes de fundamentar as transformações, a fusão e a seleção dos ritmos e melodias, díspares das demais raças.

O sopapo Caracteriza-se por seu aspecto cônico, grandes proporções e com som grave. Foi inventado pelos escravos no século XIX e estava em extinção. Na região de Pelotas e Rio Grande, na década de 40, os negros das escolas de samba pioneiras do RS tocavam sopapo que dava um ritmo próprio ao andamento dos carnavais, diferenciando do samba do resto do país. O instrumento desapareceu das escolas de samba e baterias lá pelos anos 70. Giba Giba, em um trabalho árduo de pesquisa constatou que para contar a história de sua gente, sobrava apenas uma unidade do instrumento. Com as oficinas ministradas pelo Mestre Baptista, importante carnavalesco de Pelotas, na segunda edição do Cabobu, já foram construídos 40
sopapos. Hoje o significado de sopapo, enquanto instrumento, consta no Dicionário Banto do Brasil, de Nei Lopes, editado pela prefeitura do Rio de Janeiro, em 1996: “Sopapo (2) – Grande tambor, popularizado no RS, nos anos 70, pelo músico negro Gilberto Amaro do Nascimento, o Giba Giba”.

E, por isto e aquilo, saúdo o Sandro Gravador, que encontrou no SOPAPO um toque mágico, que evidencia com propriedade o escrito no segundo parágrafo do texto supracitado. E Saúdo os BAMBAS DA ORGIA, pela coragem e atitude honrada em colocar na sua GRANDIOSA BATERIA o lindo NAIPE DE SOPAPOS neste Belíssimo Carnaval de 2009. Registre-se esta data histórica e os homens que dela se serviram.

Em Frente RICHARD SERRARIA - LORD DA PERIFERIA!
Neste dia, embalada pelo som da bateria dos Bambas e pelo inusitado e surpreendente presente na avenida enfronho-me, mais ainda, na trajetória que empunhamos desde 2000 quando me apaixonei pelo SOPAPO e sua história. Benção GIBA GIBA, Benção aos ORIXÁS que assim o querem e nos guiam.
Viva o SOPAPO! VIDA LONGA!

e por fim, disposta a seguir a boa luta irmanada com os que assim o desejem.

Salve!

Sandra Narcizo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ditabranda

Fotos: aldoadv.wordpress.com







Para o jornal Folha de São paulo, que apoia irrestritamente José Serra para presidente, o que houve no Brasil foi uma "ditabranda", em comparação às ditaduras dos países vizinhos. Cinismo é pouco. Uma vergonha. lembro a quem ler que basta uma pesquisa rápida na internet pra sacar que esse jornal foi favorecido pela dita branda, além de ter sido colaborador explícito da mesma. Abaixo um manifesto que circula e modestamente ajudo a dar visibilidade:



REPÚDIO E SOLIDARIEDADE


Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S.Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história polí­tica brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964.



Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S.Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis a atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.



Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.



Assinam:


Antonio Candido, professor aposentado da USP
Margarida Genevois. Fundadora da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos
Goffredo da Silva Telles Júnior, professor emérito da USP
Maria Eugenia Raposo da Silva Telles, advogada
Andréia Galvão, professora da Unifesp
Antonio Carlos Mazzeo, professor da Unesp
Augusto Buonicore, doutorando da Unicamp
Caio N. de Toledo, professor da Unicamp
Cláudio Batalha, professor da Unicamp
Eleonora Albano, professora do IEL, Unicamp
Emir Sader, professor da USP
Fernando Ponte de Souza, professor da UFSC
Heloisa Fernandes, socióloga
Ivana Jinkings, editora
Marcos Silva professor titular da USP
Sérgio Silva, professor da Unicamp
Patricia Vieira Tropia, Universidade Federal de Uberlandia
Paulo Silveira, sociólogo

http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html/